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quinta-feira, 30 de junho de 2011

Mulungu - Erythrina mulungu

 Árvore inteira, aspecto do tronco (com estrias e espinhos), e detalhe da folha (em três foliolos).
Fotos de acervo pessoal.

Árvore nativa, de uso medicinal bem potente (como calmante muito eficiente).

- Nome científico: Erythrina mulungu Mart. ex Benth
- Nomes populares: Mulungu, suinã, suiná-suinã, eritrina, amansa-senhor, árvore-de-coral, bico-de-papagaio, canivete, capa-homem, corticeira, flor-de-coral, tiricero.
- Família: Fabaceae-Faboideae
- Região de Origem: América do Sul.
- Árvore  de pequeno ou médio porte, chegando a 14 metros nos maiores casos. Tronco revestido por casca grossa e escura. Folhas em três folíolos espessos e coriáceos. Flores alaranjadas e chamativas. Frutos pequenos tipo vagem, secos, e se abrem quando maduros. Espinhos grandes espalhados por toda a planta.

Esta árvore possui substâncias que atuam muito eficientemente no relaxamento do sistema nervoso. Outras árvores do mesmo gênero, Erythrina, possuem propriedades semelhantes. Este é um genero muito usado no paisagismo (árvores conhecidas como eritrinas), devido às florações vermelhas e chamativas das outras espécies, entretanto a E. mulungu é um pouco mais difícil de ser encontrada. Sua floração mais alaranjada não é tão vistosa, por não possuir cores tão vibrantes (embora chame a atenção), e o fato de possuir espinhos também não conta muito a favor de um uso paisagístico. Além disso, suas sementes são tóxicas.

Mas o seu uso medicinal é relevante o suficiente para se querer esta planta, tanto que seu uso como fitoterápico já chegou aos Estados Unidos - enquanto aqui nós o estamos perdendo. Sua atuação sobre o sistema nervoso também a torna eficiente como inseticida e até como veneno de peixes. De todo modo, usada adequadamente, não é perigosa para nós, e ajuda muito a tratar casos de insônia, ansiedade, depressão, agitação psicomotora, e crises histéricas. Eu mesmo já utilizei esta planta algumas vezes, como calmante e para reduzir a ansiedade, e ela de fato me ajudou muito.

O recomendado é tomar seu chá, uma xícara média, uma ou duas vezes por dia, ou uma vez apenas - antes de dormir. Este deve ser preparado adicionando-se água fervente em uma xícara contendo uma colher (das de sobremesa) do pó que é feito de sua casca e ramos bem secos e triturados. Não é recomendável, entretanto, tomar seu chá por muitos dias seguidos - assim como muitas plantas medicinais, principalmente aquelas que não são comestíveis. Deve se evitar tomar, no começo, por mais do que três dias seguidos, quando sugere-se então interromper o uso por pelo menos mais três dias. Alguns casos pode-se necessitar de menos ou mais usos. De todo modo, se seu caso é grave, não o jogue apenas na minha mão! Converse com seu psiquiatra e os fitoterapeutas da região. Existem muitos casos de pessoas que trocaram remédios industriais mais pesados por esta planta, com resultados satisfatórios.

Outras três espécies do gênero que ocorrem no Brasil e que apresentam semelhanças (de uso inclusive) com o mulungu acima são E. verna, E. falcata, e E. poeppigiana, que além do uso paisagístico, podem ser encontradas também como cercas vivas. No nordeste brasileiro ocorre também a E. velutina, paisagística (com suas flores vermelhas) e também muito procurada como calmante e para outros usos medicinais. O aspecto das folhas e as colorações das flores, entretanto, variam um pouco entre cada espécie, além da quantidade de espinhos (E. velutina e E. mulungu são mais espinhentas).

Interessante notar que no Nordeste existe a lenda de que o mulungu cura até lobisomem, e de que mulher grávida não pode descansar junto dela pois perde o bebê ou este vêm a nascer deformado (enquanto outras árvores trazem melhor energia para as crianças). De todo modo, misticismo ou não, estas plantas são de fato poderosas. Por via das dúvidas, eu não recusaria a idéia de descansar sobre outra árvore, já que esta, respeitosamente, parece no mínimo não gostar tanto de companhia.

"Introdução à Etnobotânica", Ulysses Paulino de Albuquerque. 2ª Edição, Recife, PE: Interciência, 2005.

Plantas Medicinais no Brasil – Nativas e Exóticas”, Harri Lorenzi e F. J. Abreu Matos. 2ª Edição, Nova Odessa, SP: Instituto Plantarum, 2008.

AVISOS GERAIS: Sempre que utilizar plantas comestíveis ou medicinais, certifique-se de colher a planta correta, e que a planta esteja saudável e tenha crescido em bom solo. Ou seja: evite plantas próximas a esgotos, lixo, sujeira, etc. Evite plantas com sinais de muitos ataques por insetos ou fungos. Não recomendo o uso de produtos agroquímicos sobre qualquer planta, sejam plantações ou populações selvagens, para qualquer finalidade. Para plantas medicinais comerciais, o uso de agrotóxicos é proibido. Leia atentamente as dicas, recomendações e receitas. No mundo biológico todo detalhe é importante. Se tiver dificuldade para identificar uma espécie, entre em contato comigo ou algum especialista que conheça (eu não sou capaz de reconhecer qualquer coisa, claro, mas posso indicar alguém que talvez possa resolver seu problema).

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