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sexta-feira, 3 de junho de 2011

Embaúba – Cecropia sp.

Uma preguiça pendurada em uma frondosa embaúba.
(Fonte: Wikipedia)

Planta medicinal (diurética e no combate à hipertensão) e de importantes relações com a fauna, indicadora de dinâmicas ecológicas.
- Nomes científicos de algumas espécies de embaúba, comuns na mata atlântica: 
Cecropia pachystachya Trécul (brotos das folhas verdes, e folhas sem tons prata)
Cecropia hololeuca Miq. (embaúba-prateada, suas folhas inteiramente prateadas)
Cecropia glaziovi Snethl. (embaúba-vermelha, apenas a parte inferior das folhas é prateada, e os brotos das folhas são vermelhos).
- Nomes populares: Embaúba, embaúva, umbaúba, imbaúba, ambaíba, pau-de-preguiça,árvore-da-preguiça, pau-de-lixa, umbaúba-do-brejo, caixeta-do-campo, figueira-de-sururinan, ibaíba, ibaítuga, torém, umbaubeira, ambahi, ambaitinga, ambati, ambaigba.
- Família: Urticaceae
- Região de origem: América do Sul (abundante na região amazônica e na mata atlântica, e presente em todos ecossistemas do país).
- Árvore silvestre, chega até 15 metros de altura, com tronco esbranquiçado e ereto, e folhas lobadas presentes apenas no ápice. Presente em solos úmidos e em clareiras de matas, onde realiza os primeiros estágios de regeneração da mata. Pioneira, cresce e se reproduz rapidamente, completando seu ciclo e morrendo muitas vezes em menos de 10 anos. Madeira leve devido ao crescimento muito rápido.

Estudos científicos comprovaram os usos medicinais das embaúbas, tradicionalmente realizados através do chá das folhas secas caídas. Trata-se de um decocto feito com cerca de 20g de folhas secas (1 ou 2 folhas), em ½ litro de água, tudo fervido por 10 minutos. O preparado então é deixado em geladeira e tomado na dose de uma xícara de chá de 1 a 3 vezes por dia.

Estas são para mim árvores muito simpáticas. A identificação delas em campo não é difícil, e pode ser de grande valor, tanto para o biólogo interessado nas dinâmicas de clareira, quanto para alguém andando na mata, já que embaúbas vistas à distância podem indicar a presença de um rio, o que ajuda na localização e, se voce estiver perdido mesmo, ajuda na sobrevivência. Em outros casos, elas indicar clareiras ou a borda da mata, o que é util em estudos ecológicos, e que também pode ser relevante na orientação.

Além disso, é dito que os frutos, compridos e em formas de dedos, de pelo menos uma das espécies são comestíveis, inclusive com fama de serem afrodisíacos. Tratam-se dos frutos da C. hololeuca, facilmente reconhecível pela cor prateada na folha toda e nos brotos de folhas (C. pachystachya, possui brotos verdes e nada é prateado, enquanto C. glaziovi possui brotos avermelhados e apenas a parte de baixo das folhas é prateada).

Ainda sobre os frutos, diz-se que possuem gosto forte, o que não diz muito a favor de seu consumo, mas ainda assim são muito apreciados pelas preguiças, animais fortemente associados a estas árvores. Outra associação relevante são formigas do gênero Azteca, que vivem dentro do caule da embaúba, em grande simbiose.

A simbiose é uma troca: a planta lhes fornece alimento (as formigas que vivem na embaúba não predam suas folhas, elas se alimentam de um composto doce presente nas “axilas” das folhas, produzido pela planta especialmente para a atração das formigas), e as formigas lhe fornecem proteção (portanto, cuidado ao mexer na planta esperando derrubar frutos e folhas, estas formigas são bravas). O bicho-preguiça, entretanto, é capaz de ignorar – e mesmo de jantar – as formigas, de modo que elas se tornam mais um atrativo para ele. Outra curiosidade é que as preguiças, mesmo que muito lentas em terras e árvores, nadam muito bem, utilizando rios como corredores, de modo que não é a toa que gostem tanto de uma planta típica em matas ciliares.

Voltando à questão do que é comestível, existe um método para descobrir se uma determinada parte de uma planta pode ser comida ou não. Muito bom para testar espécies próximas de espécies reconhecidamente alimentares, como as outras embaúbas das quais não se têm informação. Falarei sobre este método em uma próxima postagem.

Nas nossas matas estas espécies de embaúbas podem ser encontradas bem próximas, o que foi objeto de estudo de uma colega aqui de Piracicaba, com quem aprendi bastante sobre elas. Fica aqui um agradecimento à minha amiga Sheron Agnez.

Referências:

“Plantas Medicinais no Brasil – Nativas e Exóticas”, Harri Lorenzi e F. J. Abreu Matos. 2ª Edição, Nova Odessa, SP: Instituto Plantarum, 2008.

Plantas daninhas do Brasil – terrestres, aquáticas, parasitas e tóxicas”, Harri Lorenzi. 4ª Edição, Nova Odessa, SP: Instituto Plantarum, 2008.

AVISO GERAL: Sempre que utilizar plantas comestíveis ou medicinais, certifique-se de colher a planta correta, ou parte dela, e que a planta esteja saudável e tenha crescido em bom solo. Ou seja: evite plantas próximas a esgotos, lixo, sujeira, etc. Evite plantas com sinais de predação por insetos ou fungos (as formigas que vivem na embaúba não predam suas folhas, elas se alimentam de um composto doce produzido nas “axilas” das folhas, produzido pela planta especialmente para as formigas). Não recomendo o uso de produtos agroquímicos sobre qualquer planta, sejam plantações ou populações selvagens, por qualquer finalidade. Leia atentamente as dicas e recomendações, no mundo biológico todo detalhe é importante.

4 comentários:

  1. Muito bom! Simples, claro e objetivo sem perder a riqueza dos detalhes.

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  2. Muito interessante o seu blog. Parabéns! Gostaria de saber, qual é o método para saber se alguma parte da planta é comestível? Agradeço desde já!

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  3. Estou devendo a postagem sobre o método, certo? Em breve, em breve!

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