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quarta-feira, 18 de janeiro de 2012

O Feitiço do Tempo e a Árvore de Ponta-Cabeça

            Faz muito tempo, a Terra não era como é hoje. Por muito tempo ela foi um lugar muito diferente, que abrigava vidas muito diferentes das nossas. O Grande Espírito, no seio do qual vive nosso planeta e todas as coisas vivas e mortas, tinha outras cores, e sua natureza cobria tudo. Uma natureza muito diferente da que conhecemos. Isso porque muitos dos seres daquela época não existem mais, ou se esconderam muito bem para fugir das mudanças dessas dezenas de milhares de anos. Além de diversos tipos de animais e plantas, que seriam familiares aos que conhecemos hoje, existiam também diversas criaturas mágicas, como unicórnios, grifos e dragões, e uma infinidade de “espíritos”, criaturas sutis que viviam sem corpo físico que se pudesse tocar, mas que se deixavam ver e interagiam com todas as outras com grande vivacidade.
            Claro que não era um mundo perfeito. Era, apenas, um mundo mágico - mais mágico do que hoje. Claro que tinha seus problemas. Todos estes seres eventualmente se desentendiam, e alguns tinham de fugir para não serem devorados por outros. A magia deixava o mundo mais interessante, mais vivo, ainda que não resolvesse todos os problemas.
            Ah! Os problemas! Sim, existiam, mas não como hoje. Aliás, essa é a história de como alguns de nossos problemas começaram – e é a história do maior deles, o problema derradeiro que um dia vai acabar com a paz que ainda nos resta e com todas as nossas vidas. Mas esperamos que esse dia nunca chegue, e por isso recontamos esta história.
           

terça-feira, 29 de novembro de 2011

Os três irmãos

Eles eram três. E viviam em Paz.

Não faltava terra boa onde plantar, não faltavam boas matas onde caçar. A água corria pura, os peixes não faltavam, e os animais não lhes eram temidos. O fogo lhes acalentava os espíritos à noite, e temperava os alimentos. As estações corriam suaves, sem que faltassem provisões, sem que faltasse calor, sem que faltasse alegria e saúde. (...)

sábado, 30 de julho de 2011

Sobre folhas e vidas

A floresta respirava calmamente. Perante os olhos do garoto, as folhas, escondidas nas sombras, balançavam em um único vai e vem tranqüilo, e lhe pareciam pequenos serezinhos cochilando, levitando infantilmente sobre o solo. Era noite, e o som dos carros passando na estrada não penetrava na mata, permitindo um ouvir agradável dos vários tons e cantos e zumbidos e farfalhares sutis. Mesmo a viagem de um caminhão dos maiores é ouvida apenas com um ruído suave, como o de uma onda distante quebrando na praia. O córrego que cruza a mata também borbulhava suas notas de lépidos rodamoinhos, somando-se ao coro de músicos invisíveis. O luar e as esparsas luzes urbanas iluminavam o caminho em que o garoto seguia.

quarta-feira, 25 de maio de 2011

Sobre animais falantes...

Foi assim de repente, sem aviso, sem explicação. Três notícias bem estranhas. Incomuns, para se dizer o mínimo. Até hoje ninguém, nenhum cientista, nenhum filósofo, nenhum poeta, foi capaz de sequer imaginar como umas coisas estranhas assim puderam acontecer...