"Dê-me uma selvageria cujo vislumbre nenhuma civilização seja capaz de suportar"

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quarta-feira, 13 de abril de 2011

Questão de Escala

Quão longe vai a referência de cada um sobre o que considera como "história humana"? O que é passado antigo, o que é passado recente? O que é futuro próximo e futuro distante? De quantos anos estamos falando? Cada um vê através de suas referências pessoais. Esta postagem é sobre as minhas referências e opiniões no assunto.

Chama-se de "sucesso econômico" a indústria que rendeu lucros imediatos, mesmo que com consequências nefastas. Quando políticos pensam em "longo prazo", dificilmente se referem a algo maior que 50 anos. A publicidade têm usado cada vez mais a palavra "novo" como sinônimo de "bom". Este modo de pensar torna impossível qualquer reflexão séria sobre sustentabilidade, já que o que está em questão na sustentabilidade são os períodos de tempo que estão além do imediatamente próximo. O que deveria estar em questão são exatamente os períodos de tempo onde outros viverão: seus filhos, netos, bisnetos... e não você e eu.

A ciência atual considera que humanos modernos já existiam à pelo menos 80 mil anos.  Há motivos para discutir esta data, mas fico devendo um próximo post para falar disto. Em termos humanos, de todo modo, se trata de muito tempo. Durante este tempo desenvolvemos culturas diferentes por todo o planeta. Muitas gerações viveram e muitas culturas surgiram. E todas estas culturas estiveram reféns de uma séria avaliação, de cunho ecológico: durar no tempo.

Elas duraram por todo este tempo. Não todas, claro. Algumas morreram. E nem todas pouparam seu ambiente no processo. Mas o fato é que as culturas sobreviventes deste longo processo são aquelas herdeiras de modos de vida que deram certo em seus ambientes - estão vivas (ou estariam, até ser construída uma hidrelétrica em seu rio) porque desenvolveram formas de vida capazes de durar em seus ambientes. Aprenderam a viver de modo que esta vida pudesse continuar por milhares de anos - e isto em algumas culturas chega a ser uma preocupação consciente. Os Haudenosaunee, da América do Norte, por exemplo, têm o costume de tomar decisões tomando como referência os possíveis impactos destas até a sétima geração.

Estes modo de vida começaram a ser perdidos com o desenvolvimento da agricultura de larga escala, à cerca de 10 mil anos atrás (alguns dizem 11 ou 12 mil, outros 8 mil), realizada por pequenas populações que desde então vêm se expandindo rapidamente pelo globo. Este crescimento populacional e territorial rápido não mostra o sucesso do processo, mas sim sua falta de sustentabilidade.

E agora, após 10 séculos de "Revolução Agrícola", inventamos a "Era do Petróleo", com pouco mais de 150 anos de idade. E já estamos sofrendo seus impactos. Perguntamos aos cientistas, por exemplo "quantas décadas ainda temos de exploração do petróleo" (ou de algum mineral, ou de gás natural), e não percebemos a total falta de segurança que este modo de vida está nos proporcionando, como grupo.

Perdemos completamente referências sobre a necessidade de permanecer vivos. Estamos fiando nossas vidas em verdadeiras bombas relógio - sejam elas indústrias petrolíferas, usinas nucleares ou hidrelétricas. Algumas poderão sofrer acidentes, outras destroem rios ou o clima. As promessas de "crescimento econômico" têm nos levado a buscar um futuro que não temos sequer como saber se pode existir ou não. Provavelmente não pode.

Muitas culturas, a grande maioria de expressões culturais humanas, não seguiram este caminho, e algumas delas ainda não foram mortas por nós ou pela destruição de seus ambientes, podendo atestar isso. É olhando para estas culturas e para esta humanidade que têm, pelo menos, 80 mil anos de história real (e provavelmente muito mais que isso), em contraste com a cultura civilizada em que vivemos, que buscarei trazer os debates deste blog.

10 comentários:

  1. Oi Fê!

    Fico feliz que você tenha encontrado uma boa ferramenta para expor as suas idéias! E de maneira muito clara e bem feita! Gostei!
    O negócio agora é começar a pensar em soluções plausíveis e viáveis!

    Beijo querido!

    Andréia Beltrão

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  2. Olhaa... não é que meu cunha escreve beemm!! INTERESSANTE o post...

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  3. Oi Déia!

    Que bom que gostou, espero que acompanhe o blog quando puder.

    Sim, temos que pensar muito em como resolver estes problemas. E fazer isto todos juntos.

    E para isso também necessitamos adquirir novas referências e valores, para evitar o risco de que uma "solução" seja apenas outro jeito de prolongar o problema... E o que vemos ou veremos como plausível e viável depende muito disso!

    Algumas propostas já existem, irei trazê-las aos poucos.

    Beijão,

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  4. Avisando que incluí a opção "siga por email", em fase de teste. Já tinha incluído esta opção quando criei o blog, mas após a primeira postagem não recebi o aviso (usei outros emails meus para teste), por isso e pela falta de conhecimento de como manobrar a ferramenta, resolvi deixá-la de fora. Hoje recebi uma notificação ("feed") do lançamento do segundo post, então pode ser que na verdade isto funcione sim. Vamos tentar. Se alguém incluir o email na lista e não receber os 'feeds', por favor me avise. Talvez nem todos os servidores de emails recebam corretamente. Em tese, toda quarta feira tem postagem nova.

    Em breve uma lista de leituras sugeridas, e próxima quarta o começo da seção sobre plantas.

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  5. Kaninha,

    Visitei-o-o, mas vou passar de novo com mais calma. Vi que a ELT já está linkada! E achei bem legal o blog "Espiritualidade Libertária", vou fuçar lá!

    Abs,

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  6. Fala Kana!

    Cara, parabéns pelo blog; até agora promete haha

    Então, tudo bem se eu divulgar por e-mail para uns amigos? Talvez eles se interessem.

    Abração
    Espero pelos novos posts

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  7. Thales, claro! Pode e deve divulgar, já que gostou. Coloca um link lá no seu blog também!

    Piu, volte com calma sim. Estarei evitando fazer posts muito longos até para facilitar a leitura de quem tem pouco tempo ou que, como eu, não gosta de ficar muito tempo na frente da tela.

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  8. Oi, Felipe, tudo bem?

    Gostei muito do blog e doo pouco que li ate agora adorei sua postura em relação ao que as pessoas chamam de praga, mato, com ansias de linchamento das pobrezinhas e geralmente lindas plantas - cada vez q pesquiso um bocadinho cada uma q consigo identificar vejo q sao sempre medicinais e ate comestiveis - ou seja, quanta ignorancia, puxa vida!!!
    Mas vamos lá. te rogo ajuda para identificar essa figurinha que minha mae doutrinou desde pequena a considerar a vilã do gramado, o horror dos horrores - a Cyperus, ou tiririca etc etc etc. Aqui (Friburgo/RJ) chamam de Cruzeiro do Sul (achei NADA mencionando isso). Tenho fotos, como faço pra te mostrar (so 2), pois quero saber qual dos zilhoes de tipos de Cyperus afinal é a que tenho no jardim aos montes - e para q servem, tudo, tudo q ue puder me dizer. por favor. de qq modo, meu email para resposta (ate pra eu te mostrar as fotos da bendita) é claudix@portalrockpress.com.br - por favor, me ajuda nessa. Nao aguento mais arrancar a pobre - vivo dizendo, vcs ainda vao descobrir q isso cura cancer e vao chorar de tratar assim!! rs
    quero argumentos, quero desmascarar essa calunia dela ser uma praga pois eu nao acredito.

    Gratidão,
    Namaste,
    Cláudia

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  9. Ok Claudia! Estou te mandando um email, e ai vemos o que podemos fazer.
    Abraço!

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  10. Ps. Cláudia, já deu uma lida no meu artigo sobre as tiriricas?
    http://vida-nos-bosques.blogspot.com.br/2011/06/juncatiririca-cyperus-esculentus-e.html

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